Artigo, Opinião
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Halloween e o estrangeirismo

O Halloween entrou no calendário brasileiro. O dia 31 de outubro é a data que está sendo comemorada no Brasil por conta desta festa tipicamente americana-europeia em homenagem ao Dia das Bruxas/Dia de Todos os Santos (veja a história), o que não tem nada a ver com a cultura brasileira, porém amada pelas crianças por conta das brincadeiras “trick and treat” (doces ou travessuras) e também pelas fantasias e as decorações de terror.

No inicio dos anos 2000, as escolas de idiomas começaram a comemorar as datas enfeitando as fachadas das escolas, logo em seguida alguns comércios, principalmente os dos shoppings fizeram o mesmo, com as decorações nos interiores das lojas e isto passou a acontecer em vários pontos comerciais. Percebendo isto, alguns “defensores da cultura brasileira” criaram o Saci O Dia do Saci a partir do projeto de lei federal iniciado pelo deputado Chico Alencar e a vereadora Ângela Guadagnin. A data comemorativa foi criada para reviver figuras do folclore brasileiro, como uma contraposição ao Dia das Bruxas. Entretanto, estes políticos se esquecem que já existe o dia 22 de agosto, Dia do Folclore, que é completa esquecida por parte da sociedade, pela falta de valorização de nossa identidade, que é a nossa cultura.

A desvalorização da cultura brasileira não acontece por conta do estrangeirismo, mas por toda a sociedade por não dar a ela o devido valor. Não fazer trabalhos e projetos específicos, como no dia do Folclore, faz com que alguns elementos da nossa cultura sejam esquecidos. Nos últimos anos, apenas Carlos Saldanha foi um revolucionário, quando criou a série “Cidade Invisível”, onde ele traz símbolos do folclore brasileiro para falar de Educação Ambiental e ainda faz denúncias contra o desmatamento utilizando conteúdos da “Literatura Fantástica” por meio das riquezas encontradas no folclore brasileiro.

Mas isto é pouco. É necessário maior intervenção dos agentes culturais, professores, artistas e de todos os setores da sociedade para valoriza-la. O único que fez isto no passado foi Monteiro Lobato, mas este está sendo “cancelado” por conta de seus teores racistas em suas obras. Muitos ainda falam em proibir a leitura de Lobato por ser racista. Lobato apenas refletia o racismo estrutural de sua época, acredito que não devemos proibi-lo, mas alertar em futuras impressões nos índices de seus livros ou por notas de rodapé os teores racistas daquela época como reflexão, mas não deixar de ler Lobato nas escolas. Afinal, como valorizar a nossa cultura se queremos proibi-la?

Temos que conhecer também novos autores representativos como Kiusan Oliveira, Tatiana Corrales, entre outros que retratam a cultura brasileira por meio da representatividade e também com novos elementos do nosso folclore.

Entretanto não devemos punir, criticar e nem mesmo proibir as comemorações do Halloween. O estrangeirismo no Brasil não é para desvalorizar a nossa cultura, mas sim para reconhecer e conhecer outras culturas. Viva o dia 22 de agosto, Dia do Folclore Brasileiro e um ótimo “Trick and and Treat” para todos!

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