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A quem interessa a Reforma do Ensino Médio

As políticas neoliberais para a educação, impulsionadas a partir do golpe de 2016. Por Bárbara PontesDo Expresso Periférico A reforma do Ensino Médio foi proposta em setembro de 2016, logo após o golpe que depôs a presidenta Dilma Rousseff e instituiu o golpista Michel Temer como presidente. Sob comando de Mendonça Filho no Ministério da Educação, a reforma propôs a redução da carga horária das disciplinas gerais do Ensino Médio, tornando obrigatórias apenas Português e Matemática. Instituiu os itinerários formativos (especialização dentro de uma das áreas do conhecimento ou ensino técnico profissionalizante); tornou Inglês disciplina obrigatória como língua estrangeira; permitiu o notório saber para a prática docente, sem a necessidade de diploma em licenciatura; ampliou a carga horária total do Ensino Médio e permitiu que parte do ensino fosse oferecido na modalidade à distância. Além disso, a proposta inicial retirava a obrigatoriedade de Artes, Educação Física, Sociologia e Filosofia.   A reforma foi proposta no bojo das políticas neoliberais de austeridade fiscal impulsionadas a partir do golpe de 2016. Vale lembrar que no mesmo período foi …

Sobre a volta da ditadura

Renato Spadini Jr.Professor de História formado pela PUC Tais empréstimos além de patrocinarem o “Milagre Econômico”, ou seja, o exaltado crescimento de 12% ao ano que só serviu para enriquecer as elites. E também financiar obras faraônicas, símbolos de uma pretensa grandiosidade que só existia na mente dos tolos ou dos mal intencionados. Não ocorreram investimentos relevantes para o desenvolvimento social, a economia cresceu, mas não houve distribuição de renda, as diferenças entre ricos e pobres aumentaram, analfabetismo e mortalidade infantil eram mazelas que atingiam a maior parte da população, citando apenas as mais vexatorias. Havia emprego, mas o salário era baixo principalmente para os trabalhadores com pouca ou nenhuma especialização, ou seja, a maioria. Os direitos de expressão foram retirados e quem falasse o que o governo não quisesse ouvir passava a cometer os absurdos crimes políticos que eram tratados por torturadores com violência física, psicológica e a morte. Os crimes comuns resolvidos com violência descomunal e marginal, pois quem agia eram os grupos de extermínio, como por exemplo o Esquadrão da Morte. A …

Alguns erros midiáticos do “Caso Lázaro”

Lázaro Barbosa, de 32 anos, chamado de “serial Killer do Distrito Federal”, foi morto pela polícia de Goiás na última segunda-feira, dia 28, pondo fim a uma busca que já durava 20 dias. A cena de sua morte ganhou as redes sociais e as imagens correram o mundo, virando memes, chacotas e piadas de todos os tipos, como se “a personificação do mal”, o Lázaro estivesse sido completamente derrotado. Segundo a polícia, o acusado foi baleado durante uma troca de tiros na mata, em Águas Lindas, no interior de Goiás. Ele foi socorrido, mas morreu na ambulância a caminho de um hospital da região. As imagens mostram claramente que ele já estava morto, com mais de 30 tiros. Toda imprensa, em todos os canais usava, às vezes, a palavra “caçada ao bandido”, quando a palavra correta, seria “busca”, por mais crimes que Lazaro tinha em suas costas, ara possamos nos tornar um país sério, deveria ter julgamento e condenação. Há mistérios quanto às várias teses que estão circulando, que Lázaro poderia ser financiado por fazendeiros …

O amor social extinto

No passado, os mutirões eram mais comuns nas periferias. Há muito tempo, os vizinhos da rua onde morávamos eram mais que nossos amigos, eram como um familiar, um ente querido, pois todos se conheciam nas ruas. Sabíamos quem eram os comerciantes do bairro e as pessoas que frequentavam estes lugares, o Zé do açougue, o Mário do bazar, o Manoel da padaria, os engraxates que ficavam nas calçadas próximas dos pontos de ônibus e padarias; as crianças que brincavam nas ruas, empinando pipas, jogando bolinhas de gude, rodando peão ou jogando bola. Estas crianças eram conhecidas por todos, como o Luizinho, filho da Dona Luzia, O Kaká, filho do seu Mário, O Carlinhos, filho do Otávio; o Tadeu, que era filho da Dona Maria e a Manoela, filha da Dona Joana, era tudo assim, uma verdadeira comunidade completamente interligada casa-igreja-sociedade amigos de bairro-botecos-rua-escolas… Ou seja, era tudo conectado e compartilhado.     Toda esta rede fazia parte de um sistema social, era uma verdadeira comunidade onde aconteciam mutirões, compartilhamento de alimentos ou pratos especiais. Se um …

Os professores e sua Odisseia!!!!

Por Renato Spadini Jr.Professor de História pela PUC Ser professor hoje é uma grande Odisseia, só que a chances de se voltar para casa são e salvo, são muito menores do que as chances que Ulisses teve. Hoje o professor enfrenta as mazelas e penúrias muito maiores que as do herói mitológico. Ciclopes, feiticeiras, redemoinhos e sereias, que comparados ao que vivemos hoje, são dóceis bichinhos, diante do desinteresse dos alunos; a falta de organização e sucateamento das escolas públicas; a corrupção de diretores, dirigentes e as ambições políticas de secretários da educação e governadores. Enfrentam ainda o descaso da população; a falta de formação, a falta de competência e de vontade de muitos que se apresentam como professores, e claro… A pior de todas desgraças: a Covid-19, que mata, literalmente, centenas de professores! Junto com o Corona Vírus,  vem também, essa bizarra e fúnebre insistência do governador João Dória, só não vou chamá-lo de mediato, por que o mito é outro,  em enviar professores para aulas presenciais, pois “a educação é essencial” sendo que …