Todos os posts com a tag: Crônica

Aos invisíveis

Há um romance adolescente fantástico do escritor Stephen Chobosky, chamado “As vantagens de ser invisível”, que relata o problema de um jovem perante ao mundo e ao seu amadurecimento. Ser invisível, é passar pela vida sem ser notado, não ter a noção de “pertencimento” e também não querer fazer parte dele, ou seja, manter à distância. Entretanto, em tempos de crises sociais na qual estamos vivendo, temos testemunhado milhares de pessoas invisíveis, só que desta vez, elas aparecem nas ruas vendendo balas ou água nos faróis, estão morrendo nas filas ou nas UTIs dos hospitais e ninguém às vêem. Estes dias, um senhor aparentando uns 50 anos se aproxima do meu carro e despeja um liquido com água e sabão. Em menos de um minutos enxugou e veio até a mim pedir uns trocados. Nâo tinha. Duas quadras depois, ao parar em um outro semáforo, uma menina, aparentando uns 14 anos, aparece correndo entre os carros e coloca dois pacotinhos de balas de hortelã por R$ 2. Não tinha o que dar a ela e …

O amor social extinto

No passado, os mutirões eram mais comuns nas periferias. Há muito tempo, os vizinhos da rua onde morávamos eram mais que nossos amigos, eram como um familiar, um ente querido, pois todos se conheciam nas ruas. Sabíamos quem eram os comerciantes do bairro e as pessoas que frequentavam estes lugares, o Zé do açougue, o Mário do bazar, o Manoel da padaria, os engraxates que ficavam nas calçadas próximas dos pontos de ônibus e padarias; as crianças que brincavam nas ruas, empinando pipas, jogando bolinhas de gude, rodando peão ou jogando bola. Estas crianças eram conhecidas por todos, como o Luizinho, filho da Dona Luzia, O Kaká, filho do seu Mário, O Carlinhos, filho do Otávio; o Tadeu, que era filho da Dona Maria e a Manoela, filha da Dona Joana, era tudo assim, uma verdadeira comunidade completamente interligada casa-igreja-sociedade amigos de bairro-botecos-rua-escolas… Ou seja, era tudo conectado e compartilhado.     Toda esta rede fazia parte de um sistema social, era uma verdadeira comunidade onde aconteciam mutirões, compartilhamento de alimentos ou pratos especiais. Se um …

Você é o que você paga

Por Sérgio Pires – Nossas vidas estão associadas às várias contas que temos que pagar em nosso dia a dia e temos que nos orgulhar de algumas e nos decepcionar com a maioria delas. Algumas fazem jus ao que necessitamos, mas a maioria não serve absolutamente para nada. Começo por este que voz escreve estas linhas, que ao checar meu extrato bancário me decepcionei ao notar em tantas futilidades, mesmo andando sem nenhuma moeda ou nota na carteira ou no bolso, apenas o cartão do banco, que é a prova cabal, pois deixa um enorme rastro no extrato. Antes, andava com dinheiro vivo, e o meu rastro era o número de objetos que acumulava em casa, como a revistas, jornais, cds, discos e livros. Hoje tenho uma coleção enorme destes objetos, uma coleção de aproximadamente 1 mil discos, hoje reduzida a 500, e o mesmo número de CDs, entre outras tranqueiras que acumulam os espaços de casa. O escritor Oscar Wilde, dizia que a pessoa é o que ela lê. Neste mesmo raciocínio eu levava …